Preconceito segue como maior vilão para a saúde masculina

Preconceito segue como maior vilão para a saúde masculina

Novembro Azul apresenta papel fundamental para desmitificar tabu com relação a exames

Os gaúchos integram a parcela da população masculina brasileira que ainda mostra preconceito com relação ao exame de toque retal, essencial para a identificação precoce do câncer de próstata. Ultrapassar esta barreira é um desafio para que se possa avançar na prevenção da doença, de acordo com o urologista associado da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Gustavo Franco Carvalhal.

- O homem tem um preconceito infundado, achando que isso vai interferir na sua vida sexual ou que será algo doloroso, o que não é verdade. O exame, feito no consultório, dura poucos segundos e pode salvar uma vida, ao indicar a doença em seu estágio inicial. Para contribuir com o diagnóstico, também é realizado um exame de sangue, o Antígeno Prostático Específico (PSA). Ações como o Novembro Azul têm contribuído para desmitificar estes tabus e conscientizar a população sobre a necessidade de exames preventivos e diagnóstico precoce – afirma o médico.

Atualmente, o câncer de próstata é o mais comum em homens e a principal causa de morte masculina em decorrência da patologia, no Brasil e no mundo. Silenciosos, os tumores possuem agressividades diferentes e na maioria dos casos só se manifestam quando em estágio avançado.

Os que evoluem lentamente podem ser controlados através de um acompanhamento médico. Já aqueles que apresentam uma evolução mais rápida, podem ser curados por cirurgia ou radioterapia, quando detectados precocemente.

- Os principais sintomas são dificuldades de urinar ou sangramento na urina. Também ocorre um aumento da frequência urinária e, quando o câncer já se espalhou pela próstata, o paciente pode sentir dores ósseas, perda de peso, fraqueza e cansaço. Os homens não devem esperar esta manifestação para procurar pelo médico, pois o ideal é realizar os exames conforme os fatores de risco. A recomendação geral é a partir dos 50 anos, mas em casos de histórico familiar ou para quem possui ascendência africana, o ideal é começar aos 40 anos – explica Gustavo.

Ainda conforme o urologista, a incidência da doença está mais ligada aos fatores citados anteriormente. No entanto, todos os tipos de câncer tendem a ocorrer com menos frequência em pessoas que mantêm hábitos saudáveis.

Através de uma pesquisa divulgada em agosto de 2017, encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com torcedores que frequentam estádios de futebol nas sete capitais que registram a maior incidência da doença, como Porto Alegre, 21% consideram que o exame de toque retal “não é coisa de homem”. Ainda entre os entrevistados, 76% acreditam que o teste é importante e 48% apontam o machismo como um impeditivo para a realização do exame. Enquanto isto, a projeção do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é de que mais de 60 mil novos casos sejam registrados até o final deste ano.

Foto, urologista Gustavo Franco Carvalhal

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